Estudo da entidade para o Brasil recomenda a necessidade de “uma verdadeira revolução” nas estruturas institucionais e de formação da carreira
Da Agência Brasil
Problemas na formação continuada dos professores e até mesmo na formação inicial, além da baixa remuneração, compõem um cenário “preocupante”, segundo Célio da Cunha, consultor em educação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil.
Ao comentar o estudo Professores do Brasil: Impasses e Desafios, lançado pela Unesco na semana passada, Cunha lembrou que os professores representam o terceiro maior grupo ocupacional do país (8,4%), ficando atrás apenas dos escriturários (15,2%) e dos trabalhadores do setor de serviços (14,9%. A profissão supera, inclusive, o setor de construção civil, que tem 4%.
O especialista destaca, entretanto, que é preciso “elevar o status” do professor no Brasil. A própria Unesco, ao concluir o estudo, recomenda a necessidade de “uma verdadeira revolução” nas estruturas institucionais e de formação.
Dados da pesquisa indicam que 50% dos alunos que cursam o magistério e que foram entrevistados disseram que não sentem vontade de ser professores. Outro dado “de impacto”, segundo Cunha, trata dos salários pagos à categoria – 50% dos docentes recebem menos de R$ 720 mensais.
O estudo alerta para um grande “descompasso” entre a formação teórica e a prática do ensino. Para Cunha, a formação do docente precisa estabelecer uma espécie de “aliança” entre o seu conteúdo e um projeto pedagógico, para que o professor tenha condições de entrar em sala de aula.
Como recomendações para a melhoria, a Unesco defende a real implementação do novo piso salarial e a política de formação docente, lançada recentemente. Cunha diz que esses podem ser “pontos de partida” para uma “ampla recuperação” da profissão no Brasil:
- Se houver continuidade e fazendo os ajustes necessários que sempre surgem, seguramente, daqui a alguns anos, podemos ter um cenário bem mais promissor do que o atual”, disse, ao ressaltar que sem professores bem formados e com uma remuneração digna não será possível atingir a qualidade que o Brasil precisa para a educação básica. “Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada.
domingo, 25 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
EDUCAR É CONTAR HISTÓRIA
De que servem todos os conhecimentos do mundo, se
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende EDUCAR É CONTAR HISTÓRIA
De que servem todos os conhecimentos do mundo, se
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o EDUCAR É CONTAR HISTÓRIA
De que servem todos os conhecimentos do mundo, se
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O EDUCAR É CONTAR HISTÓRIA
De que servem todos os conhecimentos do mundo, se
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
Texto tirado do concurso para seleção de docentes para o Quadro da Aeronáutica.Escola tenente Rêgo Barros.
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende EDUCAR É CONTAR HISTÓRIA
De que servem todos os conhecimentos do mundo, se
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o EDUCAR É CONTAR HISTÓRIA
De que servem todos os conhecimentos do mundo, se
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O EDUCAR É CONTAR HISTÓRIA
De que servem todos os conhecimentos do mundo, se
não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência
e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino,
constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou
05 didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e
ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes
educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos
nossos gurus faz apenas “pedagogia de astronauta”. Do espaço
sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco
10 enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.
Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt
Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é
o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário
dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às
15 palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se
as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de
meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma
mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de
histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o
20 desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes
de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e
simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não
precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não
concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de
25 narrativa.
Há alguns anos, professores americanos de inglês se
reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos
livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas
depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter vendendo 9
30 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os
alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes
são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores
passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato,
educar é contar histórias. Bons professores estão sempre
35 eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas,
carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso
ignorar as teorias intergalácticas dos “pedagogos astronautas” e
aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J. K.
Rowling. Eles é que sabem.
40 Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando
apresentadas a sangue-frio: “Seja X a largura do retângulo...”. De
fato, não se aprende matemática sem contextualização em
exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula
e propor a seus alunos: “Vamos construir um novo quadro-negro.
45 De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E
de quantos metros lineares de moldura?” Aí está a narrativa para
ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que
a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é
contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas,
50 estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou
imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma
equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser
a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a
eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da
55 coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a
amperagem, pois em um cano “grosso” flui mais água. Aprendidos
esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.
É preciso garimpar as boas narrativas que permitam
empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos
60 da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor “construir
sua própria aula”, em vez de selecionar as ideias que deram certo
alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor
como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele
as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais
65 eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e
sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: “O
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
bom artista copia, o grande artista rouba ideias”. Se um dos
maiores pintores do século XX achava isso, por que os
professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas
70 narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e
ajustando (é aí que entra a criatividade). Se “colando” dos
melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os
olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.
(CASTRO, Cláudio de Moura e. Veja. 10 jun, 2009. p.30.)
Texto tirado do concurso para seleção de docentes para o Quadro da Aeronáutica.Escola tenente Rêgo Barros.
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